OLÁ, AMIGOS!

Como retribuir ao universo a dádiva da vida, pensava. Agradecendo a Deus todos os dias. Dividindo com o mundo o que de melhor me ocorresse na alma, o que eu mais amasse em mim. E respondia à minha própria busca: Arte, a única coisa que diferencia os homens. Eis então minha oferenda ao mundo, minha contribuição para a humanidade: minha arte. Melodia como veículo de minha poesia e vice-versa, minha arte sou eu, levando a quem quiser ouvir minha forma de compor, escrever e cantar o universo e o acontecer das coisas que vivencio. O que canto ou escrevo é o que há de mais profundo em meu coração. Rogo por agradar a quem me ouvir ou ler. Benvindos e obrigado pela visita! Newton Baiandeira





quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

DE LIBERDADES, LUAS, MARES E AMORES



REAL MÁGICO
Newton Baiandeira

Os pés no chão, mantenho-me
em permanente estado de poesia.
Qualquer descuido da realidade
abre-se a gaiola, eu me dou a vôos.

Vou transformando dor em carnavais. Só pro ditador se chatear.

DE MALAS PRONTAS
Newton Baiandeira

Que bonito!
Partir é partir meu coração.
Repartir-se-á.
Ficarei pedaços a juntarem-se.
Dividir-se-á.
Ficarei quebra-cabeça a jogar-se.
Cão correndo atrás do rabo,
mijando em postes, demarcando
território alheio. Que feio!

Ir-se de mim, voltar-se ao mundo? Ai pegou fundo!

NAVEGÁCIAS
Newton Baiandeira

Ei-lo, o mar, ondas comportando giros.
Infinitos e imensidões se cruzando.
Céus e terras se guardam em vidas, seres
e coisas... Magnificências!
Mistérios a se desvendar,
sonhos por construir, tanto a se viver.
A vida é grande.
Viver pequeno é desperdício.
Soltar as velas e navegar
que a liberdade é o pão da alma.

Ser como a flor que pacifica. Ser como o rio que passa e fica.

LUNÁTICAS
Newton Baiandeira

Essa lua me deixa tonto, a breve findar.
Os dois à cheia e esse controverso dos diabos.
E esse amor dentro da garrafa feito anjo a beijar meu vício.
De sob lua o verso rasga as cordas.
E essa garganta, a rosnar de cão, rimando espera com já vai tarde!
Uvas e luvas, o vinho me cabe. O amor, quem sabe? Eu deixo essa lua
tonta, a breve despencar dos céus!

Aluar, enoitecer-se, degustar azuis, alma embriagada de infinitudes: eis meu
habitat.

CARTA LIVRE
Newton Baiandeira

Tronco, mais à cabeça.
Correntes, as de ventos.
Em que sou asas, não guardo
chão pra eternidades.
Liberdade: eis meu tempo e ordem.
À desordem de poderes, acordem-se
em celas, comam-se entre algemas.
Mas, não me sirvam pratos de solidão.

Fantasmas presos nos porões da minha juventude mudaram minhas atitudes
quanto ao proceder.

À SOMBRA DOS OLHOS
Newton Baiandeira

Se parcos meus gestos, vasto é meu coração de amar.
O sentir, se não visto, age em pulsações em mim.
Se não crês, à falta de gestos, ouse a desertos leitos curvar-se.
E saberás de timidez mais que de indiferenças.
Verás, e então, o amor que busca com olhos e tato.
Verás, por fim, que o amor em mim é um dar-se de corpos sós.
E almas inteiras a todo o universo.

Comia-me com os olhos. À sombra disso veria minha alma a fundo amar.

MÍNIMA PRECE
Newton Baiandeira

É mar quem gota se faz.
Há que ser gota o homem humilde.
De sua simplicidade à imensidão do
mar, há que navegar-se de vidas e sonhos.
Sal da cruz, sal da terra, sal do mar: a tríade!
Céus e anjos em curvaturas agradecerão tão honraria.

Meu canto é a chave que me abre. É a pele que me veste. Magia, movimento.

CANTO DE UM POVO
Newton Baiandeira

Há em cada boca um grito
Em cada grito uma esperança
Em cada esperança um Homem
Em cada homem um pedaço de Deus.

Palavras não bastam ao dizer do cantador. Há que então a música quebrar-lhes silêncios.

sábado, 15 de outubro de 2011

ATÉ QUANDO SE FECHAR A VISTA E ENQUANTO SONHO HOUVER




PASSAGEM DAS ANCAS
Newton Baiandeira

Ondas do mar em que ora me banho
E dessas montanhas que vejo feliz
Durante o tempo ao seu sempre passar
Algo me diz que não são belas e fundas
Quanto às ondas que bailam em seus quadris

Em que passa, qual fosse um samba
De alma bamba sei aos pares
De pobres mares, vãs montanhas

Mal sei se vai ou se volta
Só sei que assanha seu transcorrer
Meus olhos, sóis, mares, montanhas
E até e todo o tempo para por te ver.

E essa minh’alma sem trancas
À passagem das ancas
Voa... voares ensandecidos!

Laços, nós por desatar, e esse olhar perdido em ondas! NB

OLHAR INTERIOR
Newton Baiandeira

Diz que sou ausente.
É que olha o mundo
e não estou nele.

Se olhasse pra si mesma
me veria então, a esmo,
dentro do seu coração,
vasculhando sua alma.

Em tempo
Ausência não é fim
A giro mais profundo
Dispa-se do mundo
Vista-se de mim.

Nunca saí daqui!

VALE QUANTO PESA
Newton Baiandeira

Nas ruas tortas do império
Respiro o ar de minério em pó
Pulmões de aço, sou eu de ferro

Um imã aqui me prendeu
Num estado de alucinações
Em que me guardo e canto

Máquinas, vagões são meu olhar
Conto mil distâncias todo dia
Mas minha alma guia pra ficar

Abanando mão pro maquinista
Sou eu, então eternizado
Até quando se fechar a vista
E enquanto sonho houver

Ita, pedra, já não medra a bira
Nem se arreda o meu olhar
Não me vale quanto pesa
Nem me pesa tanto amar.

AS PEDRAS E CAOLHICES
Newton Baiandeira

Tiraram as pedras das ruas e meus pés perderam a direção.
Outros caminhos, maiúsculos e sem pedras em seu meio, os
conduzirão ao ouro fácil, imaginam eles.

Entre as pedras e meus pés, algo suspenso, sigo em linha reta.
Abengalado, abnegado, não vou nem volto, fico.

Apenas caminho sobre o moderno projeto, catando ausências,
contando maus-olhados de homens que, cegos, não olham onde
pisam, vesgos, não pisam onde olham.

ITABIRA
Newton Baiandeira

Itabira é o verso que não tem rima. A magia que surpreende o
mago. O primeiro trago no cigarro, após o café da manhã.
Itabira é a oração que o padre não aprendeu, a poesia que o poeta
perdeu, a canção que não encontrou intérprete.
Itabira é tocar o horizonte com os olhos, abraçar o infinito com
desejos e nunca tê-los escravos.
Itabira, meus senhores, é daqueles grandes amores que por não
sabermos amar, fechamos no peito e chamamos de saudade.


Durante a passagem do 163º aniversário de Itabira, amigos daqui e das mais distantes e Gerais Minas. Amigos de tantos e generosos Brasis. Amigos estrangeiros, de longe vista e pulsares perto, e que a tão cumplicidade amaram minha Itabira como se a seu próprio berço natal. Em nome de minha ITA, agradeço carinhosamente. Amo vocês de todo meu coração!

Canto meu povo, minha gente, minha Ita!NB

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segunda-feira, 26 de setembro de 2011

E ENTÃO, MESMO À DOR, CANTAR



UM BALÉ
Newton Baiandeira

Vai bailarina, à roda,
Dizer que a terra gira
Que o tempo não pára.
E que nada se compara à
magnitude do ser imperfeito
E poder sonhar, concertos e
consertos a ver.
O equilíbrio, ei-lo arte!

Vida é movimento, dance!

PÉ DE PACIÊNCIA
Newton Baiandeira

O sol setembra, lembra o girassol
O raiar da nova estação
É primavera, Vera beija a flor
Ascender-se à chama do amor

Tem um pé de paciência
Por detrás das saliências
Tem um pé de paciência
Por detrás do pé de sal

O sol setembra, lembra o araçá
Vendo a primavera chegar
O arco-íris pousa no quintal
Feito fogo no matagal

Regar a flor no jardim, colher amor em mim.

MERGULHAR-SE
Newton Baiandeira

A vida ocorre ao seu redor, chora?
Há que trazê-la a si, menina!
Há que felina saltar ao léu, bailar
Ao som dessa magnitude de existir.

Há que lançar-se aos céus.
Há que navegar sem medos.
Os rochedos? Não vêem a nós!
Nós necessitamos de obstáculos
Pra sermos, inteiramente, felizes!

De uma felicidade conquistada à dor
Então, construída e habitada por nós
De alma e corpo, enfim, deuses.

O ápice? Os orgasmos? Pertencem aos
conquistadores! Cabem aos vencedores,
navegantes do caos; aos que fazem doar
essências ao bem, à paz, à harmonia das vidas,
à canção do universo.
Mergulhe no verso e a poesia te agradecerá,
Emprestar-lhe-á arrepios ao corpo, sonhos à vida,
orgasmos à alma!

Precisamos nos dedicar mais às imperfeições. São elas as coisas mais perfeitas que existem.

NESSES TEMPOS
Newton Baiandeira

Nesses tempos em que liberdade
Vias de nova ordem mundial
Se traduz em invadir países
Em que as diretrizes da moral
Nos revelam padrões de postura ilegal

Em que a paz nos aponta armas
Á procura de bélicas razões
Rolam lágrimas de petróleo
Democrático imbróglio de nações

Há que ser pessoa e ser pessoa é mais que ser
Resistir, sentir, não se omitir, calar, morrer

Nesse instante em que a obra prima
É tecer elogios ao banal
Misturar nada e qualquer coisa
Nivelar pra que fique tudo igual
De padrões a brasões
À lavagem geral
Nos quintais da lavanderia
À procura de ilógicas vazões
Rolam lágrimas, crocodilos
Anunciam retóricas, cisões

Há que ser pessoa e ser pessoa é mais que ter
Resistir, sentir, não se omitir, não se render

E então, mesmo à dor, cantar!

AMÉRICA DO AMOR
Newton Baiandeira

Nada poderá
Atrapalhar meus planos
Tudo que juntei
Por todos esses anos

Sonhos por viver
Na dimensão da vida
Trilhas que paguei
Viagens proibidas

Nada impedirá meus planos
De romper o tempo, voar

Sou uma mulher americana
Neolatina, além do Equador
Infinita, livre, leve e solta
Ave de alma exposta, meu amor

Nada no mundo se cria
Tudo se transforma em mim
Loba regada de luas de marfim

Libertas Quae Sera Tamen
Na linha do Equador
Na plenitude da América do amor

E o encantar-se de luas e encantar o mundo. Ei-la, e então revoluta, Mulher!

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quarta-feira, 14 de setembro de 2011

MIRAR-SE, CONTEMPLAR-SE, DESCOBRIR-SE EM ONDAS



DEVANEIOS
Newton Baiandeira.

Penso, logo desisto! Eis que a perfeição só existe
no plural, como estado. Ou negue-se a Roda!

Ou pare o mundo!

DESCOBRIR-SE
Newton Baiandeira

Descobri-se, ir-se então a si, ao mundo.
Dar-se de vez ao sonho, guardar a si livre.

Tão vasto o mundo, tão largo o sonho, farto é o desejo
O sorriso a oferecer à parcela de sol conquistada
E nada impedirá seu sonho de romper o tempo, voar.

No ápice do viver/conviver a vida,
Achar-se então perdida na própria beleza.
Tonta de si, ávida de mais do que mais houver
E a vida a sobrar-lhe oferecida, intensa, imensa.

Há que fazer-se da terra em transe
Há que ressurgir de cada fogo
Há que se banhar de toda água
Há que tomar o mel de todo bálsamo

Mais que o arcanjo, anjo,
Há que ser mulher e dar á luz
Há que iluminar o universo
Há que imortalizar os homens

Pra que a eternidade não compreendida
Se faça à vida, pelo belo, pelo simples, pelo frágil
Pela inocência, ao equilíbrio, à consciência, enfim,
De que o universo, tenho pra mim, se chama Mulher!

Imensidões, infinitos, universo a desvendar.

CONTEMPLAR
Newton Baiandeira

Contemplando o horizonte
Reflito a fundo instante
Eis que de infinito preciso
Urge que de dor eu cante

E nem houvera juízo pra tanto amor
Que nem há que amor explicar-se, ora!
Fora isso, nem dois disso!

Dou-me as asas vestir
E, pássaro, entrego-me ao vento
Vôos famintos, adentro-me ao luzir

Então e tudo é só silêncio que desmorona
Amor que se destrona, falta que cavuca

E todo dia tenho que às dores
Emprestar vôos de águias e condores,
Por tão amores que esse peito inventa

Terra, maluca de jogar pedra
E esse meu coração que não medra
E essa minh’alma que já não se agüenta

Antes, em que perguntas
Se me aprumo, sem rumo, pra quê?
Se vou, se volto ou o quê?
Não mais sob medidas e pesos
Não mais preso a justificativas
Vou aonde não há perguntas buscar respostas.

Então e tudo é só silêncio que desmorona!

SETE MIRAR-SE
Newton Baiandeira

Contemplar-se às sete faces do espelho.
Entranhar-se às sete curvas da alma.

E, à calma, o amor aflorando a pele, após
rasgar o peito e abrir o coração ao mel/sal
da vida; achar-se, enfim, além do chão.

E, à palma da mão o bálsamo e a lâmina.

Ser ou não ser? Há que seja, há que vá!
Viver é um perigo, o perigo está à curva.

E não há reta precisa, inviolável, que leve
ao amor imenso, que ache o amor intenso.

Há que ser e ir.
Há que o amor seguir
Há de ser forte à lida
Há que ser toda à vida!

Mirar-se, admirar-se, descobrir-se única!

DE ONDULOSIDADES
Newton Baiandeira

Ondas me encantam
De mares e montanhas
Sou e vou, alma mergulhada
Em saltos, altos e baixos.

Às vezes, me desmontanho
E se Minas não tem mar
Faço-me aMAR o Rio

Deixo-me escorrer ao Corcovado,
Olhos de doze profetas no Cristo Redentor.

Longe o mar, eu cá de novo ao deslizar de serras
Montanhas ondulantes a muito mais que antes
A me entranhar de alívios, de contar corcovas
Às finas covas de meu eu quando findar.

Montanhas e mares, ondulares, pulsares em mim!

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segunda-feira, 5 de setembro de 2011

O EQUILÍBRIO À LUZ DO GIRO



BAILARINA
Newton Baiandeira

Há que a bailarina girar até que a alma se desprenda.

Tão equilíbrio, e o olhar despedaçado do fiel espectador.
Permanente observação de cada movimento ao traço.
Completa entrega do relógio ao tempo.
Não cabe ao olhar a dança, só o passo.

E, à providencial inquietude, a recém descoberta: não
são os seus olhos que rodam, é sua alma que conta
frangalhos.
É o amor que lhe diz que: vida é movimento, dance!
A cada giro, a certeza de um mundo infinito, deu-se
Asas e voou, ares de baryshnikov.

E a bailarina vê no olhar que a mira seu próprio olhar
a ver-se.

(E O GIRAR, FEITO A TERRA, EM TORNO DO PRÓPRIO EIXO. NB)


POR VIAS E VEIAS
Newton Baiandeira

Nas minhas veias te vejo a correr em fuga.
Vez e meia sinto na alma essa ruga.

Nas vias te caço a tão cansaço e falta de prumo.
Nas teias te traço, curvas e retas de emaranhado
rumo, rotas que levam a solidões e ausências.

Ah, dor que dói grande!
Em que te expandes, eis-me e então, lava de um
vulcão que se fingia extinto.

Ah, paixão que me dilacera!
Também, pudera, esse coração torto há pouco se
fingia de morto. Há que, agora e só, rogar pragas
no amor.

Ah, sangria desatada! Ai, quão aguda dor!
Fosse um condor e correria aos céus.
Mas, nem cabe a céus curar vigarices!

Você passa e nem dá olhos, e nem liga
Corre, ocorre, escorre em minha veia.
E ainda, mal educada, me diz vazios de boca cheia?

(EM QUE PASSO O OLHAR NEM HÁ MAIS PRA VER. NB)


VIAGEM
Newton Baiandeira

Agora eu sigo as ruas do azul
Arrebatado, pleno de magia
Mergulho na utopia, em busca
de tudo que eu possa somar ao
concreto que me circunda.

(ÀS VEZES, SALTA-NOS DO CORPO A ALMA, E TUDO ACONTECE. NB)

DE ALMA LAVADA
Newton Baiandeira

A chuva cai, lavadoira! Plim, plim, plim!
Dentro de mim entra e sai pelos olhos.

O que tomas por lágrimas de minha alma
São gotejares de um tempo de fertilidades
ao brotar de flores na terra.

Canteiros verdes, humanos
Semeares de alma florida

(CHOVE EM MIM, REGA CANÇÕES QUE SEMEIO AO MUNDO, ÀS
ALMAS FÉRTEIS. NB)

SONS DO SILÊNCIO
Newton Baiandeira

Não te quero à exata freqüência de minha voz.
Só te quero ouvir como se a sós gritasse seus medos e desejos.

Então, e só aí, beijar-te-ia, a calar qualquer som que não fosse à voz da alma.

(QUE CALE, ENTÃO E FUNDO, O AMOR EM NÓS. NB)

EXAUSTÃO
Newton Baiandeira

O homem do passado levou a terra à exaustão.
No limiar da grande catástrofe, o homem do
presente busca na preservação da natureza, meios
de transformar o que ainda resta num ambiente
digno de acolher as novas gerações.

(MEIO-AMBIENTE: O ÚNICO MEIO DE SALVAR A GENTE! NB)

Imagem Google

sábado, 20 de agosto de 2011

DO LUXO AO LIXO, O HOMEM DO HOMEM AO BICHO, O MUNDO



LÁGRIMAS DO TEMPO
Newton Baiandeira

Chove,
lavando
a cárie
da boca
do lixo,
molhando
a alma
dos bichos.

* Do luxo ao lixo, o homem.
Do homem ao bicho, o mundo.

PRA ESQUINA DAS LETRAS
Newton Baiandeira

Vou por esta rua
Levo uma idéia
Quiçá, pela rua de lá
Venha a trazer-se uma rima

A gente se encontra e tal
Pra uma jóia de lavras
Um poema acidental
Na esquina das palavras

* Aqui não é um lugar, só um estado de espírito.

ALÉM DOS FESTIVAIS
Newton Baiandeira

Estrelas que não brilham mais
À luz da imaginação
À solidão dos festivais
Cruel censura de canções

Que anunciavam o novo
Preparando o povo com seus refrões
Desfazendo armadilhas
Preparando trilhas para os corações

Falta despertar na gente
Uma canção de luxo ao lixo cultural
Vidas que não tem desvios
Produções em frios tons comerciais

Impostações vazias
Sem a poesia de tempos atrás
Às invenções do omisso
Sem ter compromisso
Não me valem mais

* E tudo se transforma em carnavais

ACORDAR
Newton Baiandeira

Acordar e as janelas abrir
Ensaiar um bom dia pro sol
Respirar a manhã e sentir
Não há nada de novo no ar

A não ser o gás de uma velha
usina que explodiu

Apesar de todas as guerras
Vamos ser e cantar
Ainda temos alguma esperança
De amanhã

Acordar e as janelas abrir
Ensaiar um bom dia pro sol
Respirar a manhã e sentir
Não há nada de velho no ar

A não ser a paz de uma geração
que evoluiu.

* Ao redor de uma usina nuclear há mais: mundos, vidas
e aconteceres; realidade e poesia, sonho e criatividade.

ALÉM MAR
Newton Baiandeira

Longe do mar
Nalgum lugar da América
Imensidões, descobertas mil

Meu coração, qual navegador, vai
Pulsares tais, ondas a mais
Velas da paixão, navegações
Bússolas e rotas do amor

Pulsações, amores de além mar
De te buscar, navegar, navegar
De tão remar fiz mil cabrais
E te vais, mar e mares além
Além dos barcos, Além das velas

* Imagem Google

domingo, 7 de agosto de 2011

NAS LAVAS DO VULCÃO



A PASSAGEM
Newton Baiandeira

Andas fundo n’alma
Não passarás ao raso da vida
Ficarás, flor renovada a cada primavera
Não te adentras, então passarás e só.

DESTERRO
Newton Baiandeira

No final da linha barro seco
Se mandou de alma em becos
O que tinha pra levar levou
Corpo, alma, desejos, sinas
E as esquinas que freqüentava
Lavam-se em lavas de vulcão

SEM REGRAS
Newton Baiandeira

Não se deixe escravizar pela gramática
Nem se abalar às estruturas poéticas
Diga o que diz-lhe o coração
Fale o que lhe couber a boca
A poesia é um acontecer
E alma não tem estrutura
Isso é coisa dos homens
Um escritor é um poeta está

BATIDAS DO CORAÇÃO
Newton Baiandeira

Vem ver o meu coração pulsar
É uma sensação de mão no pilão de amar

O sol parece que vai chover
E se acontecer o amor não virá

Ó, natureza, quão sombrias nuvens!
Será uma conspiração
Só pra ouvir as batidas do meu coração?

Soca pilão a que moa saudades
Ausência ensopada
Natureza invejosa.

RASGO OS ÓIOS DE TE VER
Newton Baiandeira

Tanto tempo a gente não se vê
Todo mundo fala bem docê
Tô cansado de rezar procê
De repente aparecer por cá

Flor de cheiro vivo de regar
Com as lágrimas do meu olhar
Horizontes vivo de buscar
Rasgo os óios de poder te ver

Sou um pássaro sem asa ai amor
O meu peito fogo em brasa queimou

Ai, amor, eu quis pagar pra ver
Dei na estrada pra longe docê
A distância traiçoeira
Me pegou numa rasteira
Tô pedindo seu perdão

Tô morando numa região
Sem antena de televisão
Sem notícia desse mundo
Num buraco meio fundo
Que eu chamo de solidão.

METALISMÃ
Newton Baiandeira

Pico do Amor
Meu Cristo Redentor, meu céu
Fonte de prazer
Eterna produção de mel

A cidade, lá embaixo
Se vale do que lhe vier
O trem na estação
E a vida vai seguindo a pé

Tudo é poesia à flor da pele
Vele o vale, quanto pesa uma paixão?
Que a fotografia não revele
O metalismã do coração.

Pedra Lisa é coisa do amor
Que só se explica
Na mais lavra rica da paixão.
“Vila da Utopia”
Que a razão identifica
Na fração mais rica do Japão.

A MESMA CANÇÃO
Newton Baiandeira

A mesma canção
Que a gente cantou
Quando era o amor
Um sonho pra nós

É a mesma que após
O pote de mel
Inverte o papel
E bate feroz

E essa dor!
Que saudade
Saudade de nós!

Ah, meu amor!
Assim não dá pra esquecer!
Lá vem você
Nas entrenotas dessa canção

Compartilhando meus dias
Varando luas e sóis
Marcando a minha agonia
De sustenidos, bemóis!