OLÁ, AMIGOS!

Como retribuir ao universo a dádiva da vida, pensava. Agradecendo a Deus todos os dias. Dividindo com o mundo o que de melhor me ocorresse na alma, o que eu mais amasse em mim. E respondia à minha própria busca: Arte, a única coisa que diferencia os homens. Eis então minha oferenda ao mundo, minha contribuição para a humanidade: minha arte. Melodia como veículo de minha poesia e vice-versa, minha arte sou eu, levando a quem quiser ouvir minha forma de compor, escrever e cantar o universo e o acontecer das coisas que vivencio. O que canto ou escrevo é o que há de mais profundo em meu coração. Rogo por agradar a quem me ouvir ou ler. Benvindos e obrigado pela visita! Newton Baiandeira





quinta-feira, 14 de julho de 2011

DEIXA-ME CANTAR MEU CANTO



Duas coisas me levam a marte: a felicidade, quando a mim se dá, pra dividi-la com o universo ou, à dor do caos e então, em fuga.

TRÊS PORTAS
Newton Baiandeira

Então
Quando o amor nos vem pela porta da frente
É como bálsamo que cura a solidão da gente
Feito uma luva que se encaixa
Em cada dedo, em cada mão
Feito um laço que se ajeita ao nó da ilusão

Então
Quando esse amor se vai pela porta do fundo
O coração, inconformado, quer matar o mundo
E no suplício da saudade
Sobre a cratera do vulcão
O que foi felicidade, agora é solidão

E quando a solidão se vai pela porta do lado
O coração pulsando, o peito já cicatrizado
Refaz a casa com cuidado
Enfeita de ramos de flor
Batem na porta da frente, chega um novo amor.

Ouvir a música:
http://www.facebook.com/l.php?u=http%3A%2F%2Fwww.youtube.com%2Fwatch%3Fv%3DrZhcOYmv5Bg&h=fAQDb0UMN

ANJOS
Newton Baiandeira

São Gabriel
São Rafael
Meu São Miguel Arcanjo

Meu Querubim
Pede por mim
Cuida de mim, meu anjo

Virtudes soltas no gás
Quero a fortuna da paz
Meu Serafim do além
Guarda meus passos, amém!
Protege o meu coração
De toda desilusão

Asas de Deus,
Cuidem dos meus
Doces irmãos da arte

Fazei de nós
Dedos de Vós
Pintando em toda parte

Todas as formas da cor
Um arco-íris do amor
Meu anjo, São Gabriel
Guarda-me dentro do céu
Meu São Miguel Arcanjo
Cuida de mim, meu anjo.

Ouvir a música:
http://www.facebook.com/l.php?u=http%3A%2F%2Fwww.myspace.com%2Fnewtonbaiandeira2%2Fmusic%2Fsongs%2Fanjos-67396256&h=-AQCN_Gip

DE BEM COM A VIDA
Newton Baiandeira

Enquanto eu viver
Quero estar de bem com a vida
Cantando os tributos
Do amor à liberdade
Se alguém perguntar pela dor
Diga alegria
Valeu cada verso que fiz à igualdade

E quando eu morrer, por favor,
Joguem meus restos
Distante do meu traidor
E cantem mil canções
Em sustenidos, bemóis
E somem os contras e prós
E deixem brotar girassóis
No meu jardim

Ouvir a música:
http://www.facebook.com/l.php?u=http%3A%2F%2Fwww.youtube.com%2Fwatch%3Fv%3DIqvdlUKLH94&h=fAQCpNaD5

FIOS DA CANÇÃO
Newton Baiandeira/Luiz Bira

Canta uma canção
Que transforme a terra num coração
Que desfaça a guerra e a multidão possa cantar

A canção da gente, da semente, do brotar
Mas, que de repente, do viver, do festejar
Violão, punhal, estrela, bela manhã
Canta o canto dela, vida, cheira hortelã

Lâminas da vida, estrada, fios da canção
Fazei o plantio do sonho em nós

Ouvir a música:
http://www.facebook.com/l.php?u=http%3A%2F%2Fwww.youtube.com%2Fwatch%3Fv%3D8WTQk5FziXM&h=FAQC-XUpk

domingo, 3 de julho de 2011

MÚSICA, POESIA, SONORAS LETRAS



BRILHO DE AÇO
Newton Baiandeira

Quando se fala em Ita,de escandaloso amor, minha alma grita. Berro, um som tal qual bater de ferro em céu, ao silencioso sangrar. Estrelas de tolo, fagulhas dançam ao léu, fantástico balé de lâminas.
Ao escarcéu, pulmões talhados em aço e os regurgitares de ferrugem. À cortina/luz, o sapo ainda namora a lua. E o poeta, inevitável, ainda inventa horizontes e futuros, dos quais duvida.
A despeito disso, a arte que lhe é peculiar propõe outros lumes e a Ita, quando Bira, qualquer brilhar outro é mentira.
A tão consolo, a minha alma canta em compasso de trens e solavancos, desafinada.

POR VIAS E VEIAS
Newton Baiandeira

Nas minhas veias te vejo a correr em fuga. Vez e meia, sinto na alma essa ruga.

Nas vias te caço a tão cansaço e falta de prumo. Nas teias te traço, curvas e retas de emaranhado rumo, rotas que levam a solidões e ausências.

Ah, dor que dói grande! Em que te expandes, eis-me e então, lava de um vulcão que se fingia extinto.

Ah, paixão que me dilacera! Também, pudera! Esse coração torto, há pouco se fingia de morto. Há que rogar pragas no amor.

Ai, quão aguda dor! Fosse um condor e correria aos céus. Mas, nem cabe a céus curar vigarices.
Você passa e nem dá olhos. Você corre, e nem liga, em minha veia. E ainda, mal educada, me diz vazios de boca cheia.

DE ETERNO GIRO
Newton Baiandeira

Ah, o amor!
Não fosse a dor,
talvez, não tanto o amasse.
Assim, não há o que lamentar
de seu legado a mim: mel e sal,
inferno e céu, bálsamo, vulcão.

Esse meu coração não cabe em si
de se dar, se perder, se queimar: se
achar, receber, se curar à seiva da vida,
de alma elevada ao tudo e todo orgasmo.

Queima-me! Rasga-me! Recolho meus pedaços
e de novo dou-me ao laminaço, e de novo me infinito aos findares e recomeçares.

Não me haveria vida sem amor ou amor sem chama. Há que se queimar por alcançar o paraíso.
Portanto, cruz pela luz, há que findar esse mundo, a vida não!

ZÉ MIAMI, O PRÓDIGO
Newton Baiandeira

Viver já não lhe cabia
A morte mais seduzia, pois é
Queria matar o mundo
Ó, que desgosto profundo
Com o que pulsa redor
Comprou passagem de ida
Voltar, não quero essa vida
Deixa esse barco afundar

Atravessou o mar
Metendo o pau na pátria amada
Nem lixo pro lixão
Esse sertão não vale nada, sou zé

Involuntário da pátria
Curtido a leite da mátria, foi Zé
Eis que aos primeiros contatos
Já bem cuspia no prato
Que sua fome sanou
E nos states a vida
Deu numa rua perdida
Como a rainha mandou

Atravessou o mar
Quanta saudade da favela, José
E a pátria mãe curtiu
O filho pródigo com sambas, pois é

COISAS DA CAPANGA DA BASTIANA
Newton Baiandeira

Bastiana, lá na minha adolescência:
“Ah, se eu pudesse e meu dinheiro
desse, num havia coisa que eu num
fizesse! Eu ouvia encantado, seus ditos.

Eu, na juventude, ela a ouvir:
Ah, se sesse! Mas, num esse!
Ela, ainda ali, ouvia e retrucava:
Como é que a coisa anda depois
da morte de Miranda!” E eu: “Ué,
quem não tem cão caça com gato,
quem não tem gato, late!”

E ela sempre falava: ”língua de povo
é língua santa, não erra.” Quão desdita,
Bastiana se foi. Mas seus ditos ainda me
ditam rumos de versorrimação.

O CANTADOR
Newton Baiandeira

Eu canto por cantar
Eu componho por prazer
Canto pra penetrar
no universo da mente
Eu vivo da minha voz
Seresteiro, cantador
Canto pra semear
O quebrar das correntes
Canto esperança e fé
Liberdade e união
Canto quem anda a pé
E caminha sem direção
Quem vive ao Deus dará
Quem esmola, pedindo pão
Canto quem semeou
A semente do perdão

UMHOMEM SEM TERRA
Newton Baiandeira

A gente acorda antes do sol sair
Pra dividir os ossos e o porvir da profissão
É cada um no cabo de uma enxada
Em cada légua, uma terra lavrada pra plantar

Num sol de tranças vermelhas
Eu sou um homem sem terra

Ao por-do-sol, agradecer a Deus
Os filhos Teus não perdem a esperança do amanhã
A noite é triste, a viola ponteia
Mesa vazia, a cabeça cheia faz cantar

Nas noites de lua cheia
Eu sou um homem sem terra

A gente dorme, assim como se diz
Fechar os olhos, fingir que é feliz
negar a dor
Se Deus existe, a terra prometida é
uma esperança
Enquanto eu tiver vida, vou sonhar
Nas madrugadas sombrias
Eu sou um homem sem terra.

domingo, 26 de junho de 2011

NO MEU JARDIM DA FANTASIA



DESPENCANDO DEPENADO
Newton Baiandeira

Pássaros são acusados de invasão do espaço aéreo.
E eu, a vida inteira, pensei que o céu fosse deles!
Até, imaginava que existissem antes dos aviões.
Descuidado? Acho que sou mesmo um asno alado!
A quem perguntou se “Eram os Deuses Astronautas”
fica aqui e enfim, mister Erich, a certeza comprovada: Eram Sim!

DE SOMBRAS E SOBRAS
Newton Baiandeira

Há vida em dúvidas e dívidas
Há dívidas entre ter e ser
Há dúvidas entre querer e poder
Sem qualquer sombra de dúvida
Sem qualquer sobra de dívida
Somos o que somos.
E o que somos, nem sempre, é o
que julgamos ser.
Ter não modifica isso. Apenas,
soma-se ao que somos.
Ao fim das contas, nada levamos.
Fica o que fomos, quiçá, sob aplausos.

CARTA LIVRE
Newton Baiandeira

Tronco, mais à cabeça.
Correntes, as de ventos.
Em que sou asas,
não guardo chão pra eternidades.
Liberdade: eis meu tempo e ordem.

À desordem de poderes, acordem-se
em celas, comam-se entre algemas.
Mas, não me sirvam pratos de solidão.

REAL MÁGICO
Newton Baiandeira

Os pés no chão,
mantenho-me em
permanente estado de poesia.
Qualquer descuido da realidade,
abre-se a gaiola, eu me dou a vôos.

ASAS DE AÇO
Newton Baiandeira

Irmãos do sol da América
Filhos do céu azul
Via de regra, eu pássaro, me vou

Pelo espaço
Asas de aço
Faço um compasso
Viro bagaço, enfim

O que será de mim
Se eu não puder voar
Com tantos aviões
Cortando o céu azul

Se meu destino é ave
Clave de sol no azul
Guiai a minha nave
América do sul

FANTASIA
Newton Baiandeira

Mire aquela chama
Que brilha lá no céu
É a estrela do oriente
É a promessa de uma nova luz

Há esperança em cada alegoria
Há tanta coisa pra se ver
Há tanta dança nessa fantasia
Tanta poesia a se viver

Vai, pega essa estrada
Já não há perigo
Brota do trigo uma nova flor

Vê, quanto caminho
Sozinho a te esperar
Vai, escolha sua estrada!
Siga as pegadas dessa nova luz

Vá, não pare nunca
Que esta vida é linda
E a dor só finda
Quando a gente ri!

NA CURVA DA ESTAÇÃO
por volta dos anos 1970
Newton Baiandeira

Tudo encaixa como luva
Lá na “Curva da Estação”
Pra casadas e viúvas
E solteiras da paixão
Destilarem ódios tais
Que pedrais fazem tremer
Seus maridos estiveram
Ou estão no cabaré

Homens de ferro, sem pudor
Vão buscar amor
Garotos loucos de paixão
A primeira diversão
Meninas doces como mel
Gatas de bordel
Fazem da curva da estação
Um pedaço do céu

Tudo ocorre num só porre
Lá na “Curva da Estação”
Bailarinas, moças finas
De divinas proporções
É pagamento da Vale
Quanto vale uma paixão?
Não importa, Inez é morta
Lá na “Curva da Estação”

terça-feira, 14 de junho de 2011

DE ALMA LEVE, AO VENTO



MUSA
Newton Baiandeira

Os olhos dela são templos
Deuses e ventos cantam a música
Os seus cabelos são teias
Elos, cadeias de sóis veranicos

Em sua boca as palavras têm ritmo, vida
Alma perdida no seu batom
Teço em tons o amor

Ando pra lá de ciúmes
Do seu perfume de aura oceânica
Óleos de brisas botânicas
Meu supersônico, meu amor

Em sua pele de seda
Que se proceda com toques mágicos
Mona de pele mais lisa
Sopro de brisa, beleza exótica
Enigmática sedução, oração, mito
Algo infinito entre o mal e o bem
Muito além do sol

Pontualidade britânica
Arte anatômica, forma, estética
Deusa embrulhada na túnica
Da espera única, meu amor

FANTASIA
Newton Baiandeira

Mire aquela chama
Que brilha lá no céu
É a estrela do oriente
É a promessa de uma nova luz

Há esperança em cada alegoria
Há tanta coisa pra se ver
Há tanta dança nessa fantasia
Tanta poesia a se viver

Vai, pega essa estrada
Já não há perigo
Brota do trigo uma nova flor

Vê, quanto caminho
Sozinho a te esperar
Vai, escolha sua estrada!
Siga as pegadas dessa nova luz

Vá, não pare nunca
Que esta vida é linda
E a dor só finda
Quando a gente ri!

PECADO ORIGINAL
Newton Baiandeira

Moça, mulher, menina, tesão
Dedos de Deus
Ápice divino, toque original
Quebras minha esquina
E me levas ao caos

Leveza natural do ser
Detalhe escultural da luz
Um anjo, estrela que conduz
Às considerações do amor

Eu te sinto, cálice de mel
Sei dos doces, fosse o teu zangão
Se eu pudesse te daria então
Corpo e vida, alma e coração

Lábios carmim, passas por mim
Pobre de mim, fera desvendada
Bicho em extinção
Pássaro sem asa
Brasa em sua mão

Um dia eu perco a sensatez
E mordo tua boca, então
Mostro-te as garras do leão
Faço-te um crime passional

Logo, algum juiz me leva ao tribunal
Condenas-me por pecado original
Cumpro pena numa cela de Alcatraz
Pago uma costela por um beijo a mais.

DOCE PECADO
Newton Baiandeira

Você é linda, mulher, tão menina
É tão latina essa América tua
Solta na rua, alma leve ao vento
Sou cata-vento girando em teu colo
Saio do solo e te encontro no espaço
No teu abraço sou tempo, sou vida
Asa partida, se você se parte
E se reparte entre os versos dos deuses

Vem, me perde, me acha
Encaixa-me no teu ventre
Que entre, que saia
Que caia no delírio

Reconheço-te no brilho dos astros
Sigo teu rastro num céu infinito
Doce, bendito pecado de anjos
Flautas e banjos inventam euforias
Sonhos, magias, folias, espasmos
Semens, orgasmos, libidos em chamas
Diz que me ama, eu te levo pro fundo
Dos mais profundos recônditos do amor

Reconheço-te no arco dos anjos
Sou teu marmanjo, me chama de menino
Algo divino entre o som e a palavra
Jóia de lavra no centro da terra

Erra quem diz que conhece a beleza
Tem alma tesa quem vive teu sonho
Olhos tamanhos mirando infinitos
Almas aos gritos, conflitos ao teu redor

segunda-feira, 6 de junho de 2011

MEU JARDIM DE INVERNO




NEVOANÇA
Newton Baiandeira

Camisa branca
Calça curta azul
Distintivo a meio pau

Não se via gente a metro
Só bruma à vista,
e o Conga escorregando
entre pedras de minério
até o Coronel José Batista.

Lições congelantes,
de tremer o pingo do i.
Frio saber de coisas!

O MANDA BRASA
Newton Baiandeira

Lá vinha o Manda Brasa.
Olhos que à névoa nada viam,
agora e então, ardiam por
fumaça de óleo diesel.
Inverno e inferno rimavam
espetáculos e obstáculos num
verso nada ecológico.
A beleza da neve tombava-se,
ia-se, à feiúra ascendida.

A MARIA FUMAÇA E A BRUMA
Newton Baiandeira

Da Maria, a fumaça se juntava à bruma.
Em que passava, deixava uma cortina de
invernos inusitados aos olhos da infância.
Já, à distância, a poeira branca baixava.
Às caras, pretas da fuligem resultante,
pairava, por alguns instantes, um novo
inverno de carnavais, confete e mascarados.

PIPAS AO INVERNO
Newton Baiandeira

As pipas subiam. Logo, sumiam de vista.
A linha da manivela desmentia altitudes
apregoadas. Quaisquer cinqüenta metros
acima e se ensopavam da névoa de julho.
Como se houvessem em nuvens, logo,
davam coietas as gerebas.

EM PRETO E BRANCO
Newton Baiandeira

A vida era um campo de murta
Pretinho, tal qual meu terno
Que tirava a calça curta
Lá, quando chegava o inverno.
A névoa cobria o campo
Da janela o que se via
Era um filme em preto e branco
De minha alma que morria.

FOG AO FOGO
Newton Baiandeira

O “Beco dos Porcos” e,
logo ao lado, o “Água Espaiada.”
Acima, o “Ponto dos Aflitos”.
À luz daqueles lugares,
indiferente à bruma, alheio ao
neblinaço, o inverno era requentado
prato a se degustar: o Fog ao Fogo das almas.

quarta-feira, 25 de maio de 2011

À ALTURA DOS CÉUS A FUNDOS MARES


ASAS DE MARCÉU
Newton Baiandeira

Feito Fernão
Na rota do sol
Céus infinitos
Nuvens de fino algodão
Malabarismos ao léu
O meu limite é condor

Feito Capelo
Meu beija-flor a rolar
Por primaveras astrais
Desembrulhar horizontes

Feito Gaivota
Deixar a fonte jorrar
Vão minhas asas adiante
Do que viver navegar.

NAVEGAR
Newton Baiandeira

Rosa dos ventos
Estrela-guia
À calmaria meu barco vai
Velas além do cais
Onde o sol houver brilhar eu vou

Terras distantes por descobrir
Mares além
O amor me tem seu navegante
Imensidões
Riscos a ver
E o transcender me leva e me traz

Se me compraz
Do que viver
Meu navegar é mais

MÍNIMA PRECE
Newton Baiandeira

É mar quem gota se faz
Há que ser gota o homem humilde

De sua simplicidade à imensidão do mar
há que navegar-se de vidas e sonhos

Sal da cruz, sal da terra, sal do mar: a tríade!
Céus e anjos em curvaturas agradecerão tão honraria.

HOMEM SEM TERRA II
Newton Baiandeira

Quando olho as estrelas
Fico cego de distâncias
Contando silêncios
Surdo à babel

Só me vejo e a elas
Me dou ao seu pulsar
Encharcado de azul
Criança em mim

Quando estou no céu
Sou um homem sem terra
Até que amanheça
E minha alma desça
Ao navegar do caos.

SERENATA DA RECOMPOSIÇÃO
Newton Baiandeira

Da pedra em que paira a luz
o brilho cega o olhar.
Pedra lisa... Lua itabirana.

Que belo horizonte vê o olho
que mira do velho Pico do Cauê
além dos trilhos de um velho trem!

Forja o mar, deságua os olhos o cantador.
Coração de ferro/fogo na bigorna.

Enluarou, a pedra se destrona
Soberana, minha alma madruga,
Inteira... Intacta.

ARTISTAS
Newton Baiandeira

Mãos que se dão
Almas que vão
O artesão
Tecendo o infinito
No acontecer da arte

Parte de nós acende a luz
Transcende a cruz
Cavalga ao som da brisa
No dorso da inocência

Pa(Z)ciência, arte, sedução
Mundo dos homens!
O que há de diferente aqui na terra
É arte, vida, nada mais!

*Imagem Google

quinta-feira, 19 de maio de 2011

SOB A LUZ DA LUA, À SOMBRA DOS OLHOS




À SOMBRA DOS OLHOS
Newton Baiandeira

Se parcos meus gestos, vasto é meu coração de amar.
O sentir, se não visto, age em pulsações em mim.

Se não crês, à falta de gestos, ouse a desertos leitos curvar-se.
E saberás de timidez mais que de indiferenças.
Verás, e então, o amor que busca com olhos e tato.

Verás, por fim, que o amor em mim é um dar-se de corpos sós...
E almas inteiras a todo o universo.

LUNÁTICAS
Newton Baiandeira

Essa lua me deixa tonto
A breve findar.

Os dois à cheia
E esse controverso dos diabos
E esse amor dentro da garrafa
Feito anjo a beijar meu vício.

De sob lua o verso rasga as cordas
E essa garganta, a rosnar de cão,
Rimando espera com já vai tarde!

Uvas e luvas o vinho me cabe
O amor, quem sabe?

Eu deixo essa lua tonta
A breve despencar dos céus!

DE MALAS PRONTAS
Newton Baiandeira

Que bonito!
Partir é partir meu coração.

Repartir-se-á.
Ficarei pedaços a juntarem-se.

Dividir-se-á.
Ficarei quebra-cabeça a jogar-se.

Cão correndo atrás do rabo
Mijando em postes
Demarcando território alheio
Que feio!

MARIA RITA
Newton Baiandeira

Chego ao pôr-do-sol num caminhão
Corpo ensopado de suor
Ela me espera no portão
Coisa bonita de se ver
Maria Rita, meu amor!

Achega-se em mim caudalosa
Com cheiro de rosa, flor mais bela
Enrosca-se em meu pescoço com tanto alvoroço
Gosto dela!

Serve o jantar como se serve ao céu
Uma oferenda banhada de mel
Comida em fartos temperos do amor

Sob os lençóis, mil carinhos de amor
Mal fecho os olhos e o despertador
Avisa à hora e lá vem caminhão

De novo trabalhar
Pra poder sustentar Maria Rita.

SÃO FRANCISCO DE MINAS
Newton Baiandeira

Pontas de pedra, cancelas de Minas
Longas e velhas estradas de terra, Minas!

Em Guia Lopes nasce o São Francisco
Umedecendo os sedentos sertões de Minas!


Tira os segredos da velha canastra
Eis que se alastra e o mundo conhece Minas!

Água nascendo no olho da serra
Às vezes, penso que é o pranto da velha Minas!

Vão águas claras cortando o nordeste
Levam pros mares histórias da velha Minas!

São relampejos dos olhos brilhantes
Águas ao mar, São Francisco de Minas!

Topei no topo, um tope
Tô partindo agora
Pro sopé da serra
Tá chegando a hora