OLÁ, AMIGOS!

Como retribuir ao universo a dádiva da vida, pensava. Agradecendo a Deus todos os dias. Dividindo com o mundo o que de melhor me ocorresse na alma, o que eu mais amasse em mim. E respondia à minha própria busca: Arte, a única coisa que diferencia os homens. Eis então minha oferenda ao mundo, minha contribuição para a humanidade: minha arte. Melodia como veículo de minha poesia e vice-versa, minha arte sou eu, levando a quem quiser ouvir minha forma de compor, escrever e cantar o universo e o acontecer das coisas que vivencio. O que canto ou escrevo é o que há de mais profundo em meu coração. Rogo por agradar a quem me ouvir ou ler. Benvindos e obrigado pela visita! Newton Baiandeira





quinta-feira, 17 de maio de 2012

ENTRE CANTOS E FALAS ITABIRA AFORA




VIVALDINO DA HORA
Newton Baiandeira

Era um sujeito indeterminado
Rogava, às sombras, pragas à luz.
E, sem contraditórios, fartava-se em gozo.

Quando, subentendido às orações, quase o 
achavam, a uma vírgula de ser determinado 
tornava-se o sujeito oculto, escapava por 
metáforas e ponto final.

NEVOANÇAS
Newton Baiandeira

Camisa branca, calça curta azul
Distintivo a meio pau.

Não se via gente a metro
Só bruma à vista. 

E o "Conga" escorregando entre 
pedras de minério até o Grupo 
Escolar Coronel José Batista.

Lições congelantes 
De tremer o pingo do i.

Frio saber de coisas!

PRÓXIMO ARTIGO: Todo homem terá o direito de chorar de alegria e emoção ao ver a beleza, tocar no simples, encontrar-se com a arte. NB

DE ETERNO GIRO
Newton Baiandeira

Ah, o amor!
Não fosse a dor, talvez não tanto o amasse.
Assim, não há o que lamentar de seu legado a mim:
Mel e sal, inferno e céu, bálsamo, vulcão.

Esse meu coração não cabe em si de perder-se,
De achar-se, ferir-se, curar-se à seiva da vida;
De dar-se de alma elevada ao tudo e todo orgasmo.

Queima-me! Rasga-me! Recolho meus pedaços
E de novo dou-me ao laminaço, de novo faço
E de novo me infinito aos findares e recomeçares.

Não me haveria vida sem amor ou amor sem chama
Há que queimar-se por alcançar o paraíso, o encanto.
Portanto, cruz pela luz, há que findar esse mundo, a
vida não!

DE SOMBRAS E SOBRAS
Newton Baiandeira

Há vida em dúvidas e dívidas.
Há dívidas entre ter e ser.
Há dúvidas entre querer e poder.

Sem qualquer sombra de dúvida,
Sem qualquer sobra de dívida,
Somos o que somos.
E o que somos, nem sempre é o
que julgamos ser.

Ter não modifica isso. Apenas,
soma-se ao que somos.

Ao fim das contas, nada levamos.
Fica o que fomos, quiçá, sob aplausos.

À sombra da dúvida descanso.

O MANDA-BRASA
Newton Baiandeira

Lá vinha o Manda Brasa.
Olhos que à névoa nada viam,
agora e então, ardiam por
fumaça de óleo diesel.

Inverno e inferno rimavam
espetáculos e obstáculos num
verso nada ecológico.

MEU PALCO ERA UM JEEP
Newton Baiandeira

Eram os anos 1960 e eu adolescia. Era um JEEP velho, daqueles com um toquinho de madeira nas laterais do capô. Era um microfone que mal cabia às mãos do menino e mais, dava choques. 

Casas, janelas, portas e terreiros; estradas, matas, caminhos e pinguelas, sempre lotados de gente, íamos entre cantos e falas pela Itabira a fora. 

Eu cantava uma música e entregava o microfone. Daniel Grisolia falava umas coisas bonitas para as pessoas dos caminhos e me devolvia. Mas, logo retornava às falas bonitas e eu, doido pra cantar, ruminava ansiedades. O Jeep dançando em curvas e buracos.

Eu só voltava pra casa à noitinha, minha mãe a xingar rouquidões! Minutos de xingos, dias de moedas, doces e balas, aqueles!

CAUSA E EFEITO
Newton Baiandeira

O passado é a causa do novo. 
Veio antes, cavou os caminhos 
em que ora piso rumo ao futuro. 
Em que tempo me sobra eu paro
Volto-me pra um alô: bença, vô!

Foto: troféu/homenagem recebido da Escola Técnica de Formação Gerencial (ETFG).

sábado, 7 de abril de 2012

SEM CORCOVAS NA ALMA




      FILHO DE UMA FIGA!
                                Newton Baiandeira

Eu fazia figa à janela em gotas
A chuva a conta-gotas mijava na bola
O domingo de sol, mais triste do que eu
Aguardava o sábado chuvoso ir embora.

          CONTEMPORIZAR
                        Newton Baiandeira

Que ao suposto desânimo não
se traduza a preguiça imaginada.
Qual nada!
A quietude é laboratório à sensatez.
Equilíbrios rebuscados, escavadas
na mina.

Nada de conjecturas inúteis.
Que se revele à calma e serenidade.

Por caridade, não se confunda.
Nem há corcundas n’alma.
Só, à calma, vou.

Sigo, não persigo.
A não ser que, tal, o verbo se traduza
à persistência em sua mais pura e bela
acepção da palavra.

Prossigo ao fazer e admirar feitos pra
mais aprender, pra mais ser que ter.


COISAS DO SER
Newton Baiandeira

Respirar à tona
é uma aventura. 
Sou todo mergulho. 
Um é lava
Outro me lava. 
Do que me queima o
vulcão o mar dá cura!


                    E A LUZ SE FEZ
                                                  Newton Baiandeira

E Deus fez a mulher.
A tão luz, não hesitou
Fez o mundo, fez o homem.

Afinal, de que adiantaria tamanha
luz se não houvesse algo que se
lhe coubesse tal iluminar?

E no útero da simbologia presente
produz-se a luz futura dos homens.
Eu canto a isso!

A luz
A vida
O ser.

À luz
À vida
Ao fêmeo milagre!

      HUMOR À PERDA DE HUMOR
                                            Newton Baiandeira

À falta de humor pior pra nós Millôr pra Deus!

terça-feira, 6 de março de 2012

VERBO AOS COTOVELOS


                DE ÁGUAS E DE FLORES
                                            Newton Baiandeira

Permanente é o som das águas em minha 
mente a repetir refrões aos meus ouvidos. 
Sou eu e só em cantares encharcados.

Lavo-me à chuva de sons das águas que 
sobem, descem, vêm e vão. 

Tal qual é o perfume das flores que se dão 
ao meu olfato e, próximo ato, se fecham em 
minha memória.

Sou só cheirar fragrâncias do tempo, raros 
olores de vida em canteiros, alma toda em 
jardins. 
Enfim, quis-me ser como a flor que pacifica 
Como o rio que passa e fica ao sempre cantar.

Dou-me às águas, seu líquido cantar a penetrar-me
ouvidos, lavar-me alma.

           ECO ILÓGICO
                          Newton Baiandeira

O plainar da garça
O encanto da praça
Deram-se ao domingo.

O encanto da praça
O plainar da garça
Qual desgraça
Dera-se tudo ao incêndio.

Algum idiota lançara fogo à mata.

Inda assim, foi o domingo da garça
ao plainar da praça.

E nem fora garça, era um tuiuiú!

 POETIVAS
Newton Baiandeira

Eis-nos aves na abóboda
poética ao dispor dos sonhos.
Eternos até o fim.
E esse amor que nos move à
leveza dos solavancos!

                CONTEMPLAÇÃO
                                          Newton Baiandeira

À quaresma, me guardo, contrito-me.
Não à penitências, mas em louvores e
agradeceres pela magnificência da vida.

Quatro dias de folia, alma inteira de festa
Invisto, então, novecentos e sessenta horas
num feliz e silencioso processo de busca à
compreensão da imensa generosidade divina.

VERBO AOS COTOVELOS
                       Newton Baiandeira

Minha mãe me disse pra andar
na linha e sonhar.
Pois bem! Passei a vida nos trilhos
à utopia de parar um trem.

Já me acostumei aos atropelos
Por ser verbo aos cotovelos
O que pago só eu sei

O trem me esmaga
Não calo o berro
Renasço à saga
Fênix de ferro

Entre trem e trilho
Renasço e brilho
Porque sou pedra
Porque sou ita
Porque minha alma bira.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

RESUMO DE MIM




CAMINHADOR
Newton Baiandeira

Caminho
Vou a Caminha
Ver a vinha
Sorver-lha o vinho
Embriagar-me em fado.

Vou a Serpa
Ser “Pasárgada”
Vê-la em mim.

Além Tejo
Alentejo-me
De alegorias
De olivais
De olarias.

Terras e mares
Vou a cantares
De almas livres
De alma livre.

SONHAR
Newton Baiandeira

De pés no chão
Ao largo abismo
Em profundo sono
Ou à luz do caos
Os sonhos nos mudam
Mudamo-nos, mudamos o mundo!
Há que sonhar o homem
Há que mudar o mundo!


O CORVO BLUES
Newton Baiandeira

Meu coração
Sangra aos borbotões á luz
Um fino facho de lume
Um traço de um punhal

Insólito punhal
Fina lâmina
Insólita paixão
Arrastão, fundo caos, vendaval

Que sangre mais
Tudo se refaz à luz
Vai-se o corvo
Amar de novo se entregar

Depois do temporal
Alma em pânico
Inventa carnavais
Novo amor, nova dor
Novo horror
Sangra mais

FADAL
Newton Baiandeira

Havia um Fado nesse palco.
Ele se foi.
Talvez, buscasse um verso ausente.
Uma rima desgarrada? Sei lá!
Só sei que ele se foi
E o máximo que me permite é esse
tablado, encharcado de sua magia.

RESUMO DE MIM
Newton Baiandeira

Não tenho ofício nem vício
Só o início de cada cousa
E o que repousa de mim
Não dorme nem se recolhe
Busca vestígios de alguma coisa.

RESUMO DE MIM

CAMINHADOR
Newton Baiandeira

Caminho
Vou a Caminha
Ver a vinha
Sorver-lha o vinho
Embriagar-me em fado.

Vou a Serpa
Ser “Pasárgada”
Vê-la em mim.

Além Tejo
Alentejo-me
De alegorias
De olivais
De olarias.

Terras e mares
Vou a cantares
De almas livres
De alma livre.

SONHAR
Newton Baiandeira

De pés no chão
Ao largo abismo
Em profundo sono
Ou à luz do caos
Os sonhos nos mudam
Mudamo-nos, mudamos o mundo!
Há que sonhar o homem
Há que mudar o mundo!


O CORVO BLUES
Newton Baiandeira

Meu coração
Sangra aos borbotões á luz
Um fino facho de lume
Um traço de um punhal

Insólito punhal
Fina lâmina
Insólita paixão
Arrastão, fundo caos, vendaval

Que sangre mais
Tudo se refaz à luz
Vai-se o corvo
Amar de novo se entregar

Depois do temporal
Alma em pânico
Inventa carnavais
Novo amor, nova dor
Novo horror
Sangra mais

FADAL
Newton Baiandeira

Havia um Fado nesse palco.
Ele se foi.
Talvez, buscasse um verso ausente.
Uma rima desgarrada? Sei lá!
Só sei que ele se foi
E o máximo que me permite é esse
tablado, encharcado de sua magia.

RESUMO DE MIM
Newton Baiandeira

Não tenho ofício nem vício
Só o início de cada cousa
E o que repousa de mim
Não dorme nem se recolhe
Busca vestígios de alguma coisa.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

NA ESTAÇÃO DAS ALMAS


CANÇÕES AO VENTO

Newton Baiandeira

Há que ser esmeradamente simples e, silenciosamente, gritar o

poema. Há que a canção encantar, indiferentemente de arranjos.

Diz-me o vento agudo sopro! Sigo atento à sonora ventania!


PALAVRAS DA ALMA

Newton Baiandeira

Não direi dos amores que tive senão o que a alma

emprestar-me à boca. Pois que foi de alma que amei

e de alma me acolheram.

Qualquer tremor dos lábios será de paixões intensas,

saudades imensas, pulsações agradecidas.

Amar a dor, assim como o amor que me foi tanto, e farto.

FIM DAS HORAS

Newton Baiandeira

O relógio na parede marcou as horas que eu vivi.

As que vivo, não sei. Ando tão ocupado em viver

a felicidade que me é farta, que não me sobra olhar

ponteiros que se cruzam no tempo, concatenando

lembranças de fins, induzindo a encerramentos.

Minha alma diz que o espetáculo não pode parar.

Eu ouço e sigo.

As horas passam.

Ora, que passem!

INDIFERENÇA

Newton Baiandeira

Não esperes por mim nem de mim, por que

não tornarei e nada terei a dar.

Não cantes por mim nem pra mim, pois não

serei eu nem terei ouvidos.

Não sintas de mim saudades, já que nunca me

perdestes, posto que nunca me tivestes.

SEMPRE ÁS CHAMAS

Newton Baiandeira

Somos poetas.

Então, expostos a tudo e todos, queremos a luz.

Há que ser à cruz? Que o seja!

Eis que se ilumine o mundo a lume de palavras.

ESTAÇÃO DAS ALMAS

Newton Baiandeira

Uns a toda calma, outros, vivas, palmas

Ao partir do trem da estação das almas

Nos trilhos da mente vão-se metalóides,
surdamente, a convenções de Freud.
Almas rendidas, quimeras vendidas,
vão-se os dedos, anéis que os valham.

Não Vale quanto pesa nem pesa quanto Vale o vale.

Imagem: Trilhos de Ferro. Arte confeccionada em pedras de minério de ferro, de Newton Baiandeira.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

DE LIBERDADES, LUAS, MARES E AMORES



REAL MÁGICO
Newton Baiandeira

Os pés no chão, mantenho-me
em permanente estado de poesia.
Qualquer descuido da realidade
abre-se a gaiola, eu me dou a vôos.

Vou transformando dor em carnavais. Só pro ditador se chatear.

DE MALAS PRONTAS
Newton Baiandeira

Que bonito!
Partir é partir meu coração.
Repartir-se-á.
Ficarei pedaços a juntarem-se.
Dividir-se-á.
Ficarei quebra-cabeça a jogar-se.
Cão correndo atrás do rabo,
mijando em postes, demarcando
território alheio. Que feio!

Ir-se de mim, voltar-se ao mundo? Ai pegou fundo!

NAVEGÁCIAS
Newton Baiandeira

Ei-lo, o mar, ondas comportando giros.
Infinitos e imensidões se cruzando.
Céus e terras se guardam em vidas, seres
e coisas... Magnificências!
Mistérios a se desvendar,
sonhos por construir, tanto a se viver.
A vida é grande.
Viver pequeno é desperdício.
Soltar as velas e navegar
que a liberdade é o pão da alma.

Ser como a flor que pacifica. Ser como o rio que passa e fica.

LUNÁTICAS
Newton Baiandeira

Essa lua me deixa tonto, a breve findar.
Os dois à cheia e esse controverso dos diabos.
E esse amor dentro da garrafa feito anjo a beijar meu vício.
De sob lua o verso rasga as cordas.
E essa garganta, a rosnar de cão, rimando espera com já vai tarde!
Uvas e luvas, o vinho me cabe. O amor, quem sabe? Eu deixo essa lua
tonta, a breve despencar dos céus!

Aluar, enoitecer-se, degustar azuis, alma embriagada de infinitudes: eis meu
habitat.

CARTA LIVRE
Newton Baiandeira

Tronco, mais à cabeça.
Correntes, as de ventos.
Em que sou asas, não guardo
chão pra eternidades.
Liberdade: eis meu tempo e ordem.
À desordem de poderes, acordem-se
em celas, comam-se entre algemas.
Mas, não me sirvam pratos de solidão.

Fantasmas presos nos porões da minha juventude mudaram minhas atitudes
quanto ao proceder.

À SOMBRA DOS OLHOS
Newton Baiandeira

Se parcos meus gestos, vasto é meu coração de amar.
O sentir, se não visto, age em pulsações em mim.
Se não crês, à falta de gestos, ouse a desertos leitos curvar-se.
E saberás de timidez mais que de indiferenças.
Verás, e então, o amor que busca com olhos e tato.
Verás, por fim, que o amor em mim é um dar-se de corpos sós.
E almas inteiras a todo o universo.

Comia-me com os olhos. À sombra disso veria minha alma a fundo amar.

MÍNIMA PRECE
Newton Baiandeira

É mar quem gota se faz.
Há que ser gota o homem humilde.
De sua simplicidade à imensidão do
mar, há que navegar-se de vidas e sonhos.
Sal da cruz, sal da terra, sal do mar: a tríade!
Céus e anjos em curvaturas agradecerão tão honraria.

Meu canto é a chave que me abre. É a pele que me veste. Magia, movimento.

CANTO DE UM POVO
Newton Baiandeira

Há em cada boca um grito
Em cada grito uma esperança
Em cada esperança um Homem
Em cada homem um pedaço de Deus.

Palavras não bastam ao dizer do cantador. Há que então a música quebrar-lhes silêncios.

sábado, 15 de outubro de 2011

ATÉ QUANDO SE FECHAR A VISTA E ENQUANTO SONHO HOUVER




PASSAGEM DAS ANCAS
Newton Baiandeira

Ondas do mar em que ora me banho
E dessas montanhas que vejo feliz
Durante o tempo ao seu sempre passar
Algo me diz que não são belas e fundas
Quanto às ondas que bailam em seus quadris

Em que passa, qual fosse um samba
De alma bamba sei aos pares
De pobres mares, vãs montanhas

Mal sei se vai ou se volta
Só sei que assanha seu transcorrer
Meus olhos, sóis, mares, montanhas
E até e todo o tempo para por te ver.

E essa minh’alma sem trancas
À passagem das ancas
Voa... voares ensandecidos!

Laços, nós por desatar, e esse olhar perdido em ondas! NB

OLHAR INTERIOR
Newton Baiandeira

Diz que sou ausente.
É que olha o mundo
e não estou nele.

Se olhasse pra si mesma
me veria então, a esmo,
dentro do seu coração,
vasculhando sua alma.

Em tempo
Ausência não é fim
A giro mais profundo
Dispa-se do mundo
Vista-se de mim.

Nunca saí daqui!

VALE QUANTO PESA
Newton Baiandeira

Nas ruas tortas do império
Respiro o ar de minério em pó
Pulmões de aço, sou eu de ferro

Um imã aqui me prendeu
Num estado de alucinações
Em que me guardo e canto

Máquinas, vagões são meu olhar
Conto mil distâncias todo dia
Mas minha alma guia pra ficar

Abanando mão pro maquinista
Sou eu, então eternizado
Até quando se fechar a vista
E enquanto sonho houver

Ita, pedra, já não medra a bira
Nem se arreda o meu olhar
Não me vale quanto pesa
Nem me pesa tanto amar.

AS PEDRAS E CAOLHICES
Newton Baiandeira

Tiraram as pedras das ruas e meus pés perderam a direção.
Outros caminhos, maiúsculos e sem pedras em seu meio, os
conduzirão ao ouro fácil, imaginam eles.

Entre as pedras e meus pés, algo suspenso, sigo em linha reta.
Abengalado, abnegado, não vou nem volto, fico.

Apenas caminho sobre o moderno projeto, catando ausências,
contando maus-olhados de homens que, cegos, não olham onde
pisam, vesgos, não pisam onde olham.

ITABIRA
Newton Baiandeira

Itabira é o verso que não tem rima. A magia que surpreende o
mago. O primeiro trago no cigarro, após o café da manhã.
Itabira é a oração que o padre não aprendeu, a poesia que o poeta
perdeu, a canção que não encontrou intérprete.
Itabira é tocar o horizonte com os olhos, abraçar o infinito com
desejos e nunca tê-los escravos.
Itabira, meus senhores, é daqueles grandes amores que por não
sabermos amar, fechamos no peito e chamamos de saudade.


Durante a passagem do 163º aniversário de Itabira, amigos daqui e das mais distantes e Gerais Minas. Amigos de tantos e generosos Brasis. Amigos estrangeiros, de longe vista e pulsares perto, e que a tão cumplicidade amaram minha Itabira como se a seu próprio berço natal. Em nome de minha ITA, agradeço carinhosamente. Amo vocês de todo meu coração!

Canto meu povo, minha gente, minha Ita!NB

Imagem Google

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

E ENTÃO, MESMO À DOR, CANTAR



UM BALÉ
Newton Baiandeira

Vai bailarina, à roda,
Dizer que a terra gira
Que o tempo não pára.
E que nada se compara à
magnitude do ser imperfeito
E poder sonhar, concertos e
consertos a ver.
O equilíbrio, ei-lo arte!

Vida é movimento, dance!

PÉ DE PACIÊNCIA
Newton Baiandeira

O sol setembra, lembra o girassol
O raiar da nova estação
É primavera, Vera beija a flor
Ascender-se à chama do amor

Tem um pé de paciência
Por detrás das saliências
Tem um pé de paciência
Por detrás do pé de sal

O sol setembra, lembra o araçá
Vendo a primavera chegar
O arco-íris pousa no quintal
Feito fogo no matagal

Regar a flor no jardim, colher amor em mim.

MERGULHAR-SE
Newton Baiandeira

A vida ocorre ao seu redor, chora?
Há que trazê-la a si, menina!
Há que felina saltar ao léu, bailar
Ao som dessa magnitude de existir.

Há que lançar-se aos céus.
Há que navegar sem medos.
Os rochedos? Não vêem a nós!
Nós necessitamos de obstáculos
Pra sermos, inteiramente, felizes!

De uma felicidade conquistada à dor
Então, construída e habitada por nós
De alma e corpo, enfim, deuses.

O ápice? Os orgasmos? Pertencem aos
conquistadores! Cabem aos vencedores,
navegantes do caos; aos que fazem doar
essências ao bem, à paz, à harmonia das vidas,
à canção do universo.
Mergulhe no verso e a poesia te agradecerá,
Emprestar-lhe-á arrepios ao corpo, sonhos à vida,
orgasmos à alma!

Precisamos nos dedicar mais às imperfeições. São elas as coisas mais perfeitas que existem.

NESSES TEMPOS
Newton Baiandeira

Nesses tempos em que liberdade
Vias de nova ordem mundial
Se traduz em invadir países
Em que as diretrizes da moral
Nos revelam padrões de postura ilegal

Em que a paz nos aponta armas
Á procura de bélicas razões
Rolam lágrimas de petróleo
Democrático imbróglio de nações

Há que ser pessoa e ser pessoa é mais que ser
Resistir, sentir, não se omitir, calar, morrer

Nesse instante em que a obra prima
É tecer elogios ao banal
Misturar nada e qualquer coisa
Nivelar pra que fique tudo igual
De padrões a brasões
À lavagem geral
Nos quintais da lavanderia
À procura de ilógicas vazões
Rolam lágrimas, crocodilos
Anunciam retóricas, cisões

Há que ser pessoa e ser pessoa é mais que ter
Resistir, sentir, não se omitir, não se render

E então, mesmo à dor, cantar!

AMÉRICA DO AMOR
Newton Baiandeira

Nada poderá
Atrapalhar meus planos
Tudo que juntei
Por todos esses anos

Sonhos por viver
Na dimensão da vida
Trilhas que paguei
Viagens proibidas

Nada impedirá meus planos
De romper o tempo, voar

Sou uma mulher americana
Neolatina, além do Equador
Infinita, livre, leve e solta
Ave de alma exposta, meu amor

Nada no mundo se cria
Tudo se transforma em mim
Loba regada de luas de marfim

Libertas Quae Sera Tamen
Na linha do Equador
Na plenitude da América do amor

E o encantar-se de luas e encantar o mundo. Ei-la, e então revoluta, Mulher!

Imagem Google

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

MIRAR-SE, CONTEMPLAR-SE, DESCOBRIR-SE EM ONDAS



DEVANEIOS
Newton Baiandeira.

Penso, logo desisto! Eis que a perfeição só existe
no plural, como estado. Ou negue-se a Roda!

Ou pare o mundo!

DESCOBRIR-SE
Newton Baiandeira

Descobri-se, ir-se então a si, ao mundo.
Dar-se de vez ao sonho, guardar a si livre.

Tão vasto o mundo, tão largo o sonho, farto é o desejo
O sorriso a oferecer à parcela de sol conquistada
E nada impedirá seu sonho de romper o tempo, voar.

No ápice do viver/conviver a vida,
Achar-se então perdida na própria beleza.
Tonta de si, ávida de mais do que mais houver
E a vida a sobrar-lhe oferecida, intensa, imensa.

Há que fazer-se da terra em transe
Há que ressurgir de cada fogo
Há que se banhar de toda água
Há que tomar o mel de todo bálsamo

Mais que o arcanjo, anjo,
Há que ser mulher e dar á luz
Há que iluminar o universo
Há que imortalizar os homens

Pra que a eternidade não compreendida
Se faça à vida, pelo belo, pelo simples, pelo frágil
Pela inocência, ao equilíbrio, à consciência, enfim,
De que o universo, tenho pra mim, se chama Mulher!

Imensidões, infinitos, universo a desvendar.

CONTEMPLAR
Newton Baiandeira

Contemplando o horizonte
Reflito a fundo instante
Eis que de infinito preciso
Urge que de dor eu cante

E nem houvera juízo pra tanto amor
Que nem há que amor explicar-se, ora!
Fora isso, nem dois disso!

Dou-me as asas vestir
E, pássaro, entrego-me ao vento
Vôos famintos, adentro-me ao luzir

Então e tudo é só silêncio que desmorona
Amor que se destrona, falta que cavuca

E todo dia tenho que às dores
Emprestar vôos de águias e condores,
Por tão amores que esse peito inventa

Terra, maluca de jogar pedra
E esse meu coração que não medra
E essa minh’alma que já não se agüenta

Antes, em que perguntas
Se me aprumo, sem rumo, pra quê?
Se vou, se volto ou o quê?
Não mais sob medidas e pesos
Não mais preso a justificativas
Vou aonde não há perguntas buscar respostas.

Então e tudo é só silêncio que desmorona!

SETE MIRAR-SE
Newton Baiandeira

Contemplar-se às sete faces do espelho.
Entranhar-se às sete curvas da alma.

E, à calma, o amor aflorando a pele, após
rasgar o peito e abrir o coração ao mel/sal
da vida; achar-se, enfim, além do chão.

E, à palma da mão o bálsamo e a lâmina.

Ser ou não ser? Há que seja, há que vá!
Viver é um perigo, o perigo está à curva.

E não há reta precisa, inviolável, que leve
ao amor imenso, que ache o amor intenso.

Há que ser e ir.
Há que o amor seguir
Há de ser forte à lida
Há que ser toda à vida!

Mirar-se, admirar-se, descobrir-se única!

DE ONDULOSIDADES
Newton Baiandeira

Ondas me encantam
De mares e montanhas
Sou e vou, alma mergulhada
Em saltos, altos e baixos.

Às vezes, me desmontanho
E se Minas não tem mar
Faço-me aMAR o Rio

Deixo-me escorrer ao Corcovado,
Olhos de doze profetas no Cristo Redentor.

Longe o mar, eu cá de novo ao deslizar de serras
Montanhas ondulantes a muito mais que antes
A me entranhar de alívios, de contar corcovas
Às finas covas de meu eu quando findar.

Montanhas e mares, ondulares, pulsares em mim!

Imagem Google

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

O EQUILÍBRIO À LUZ DO GIRO



BAILARINA
Newton Baiandeira

Há que a bailarina girar até que a alma se desprenda.

Tão equilíbrio, e o olhar despedaçado do fiel espectador.
Permanente observação de cada movimento ao traço.
Completa entrega do relógio ao tempo.
Não cabe ao olhar a dança, só o passo.

E, à providencial inquietude, a recém descoberta: não
são os seus olhos que rodam, é sua alma que conta
frangalhos.
É o amor que lhe diz que: vida é movimento, dance!
A cada giro, a certeza de um mundo infinito, deu-se
Asas e voou, ares de baryshnikov.

E a bailarina vê no olhar que a mira seu próprio olhar
a ver-se.

(E O GIRAR, FEITO A TERRA, EM TORNO DO PRÓPRIO EIXO. NB)


POR VIAS E VEIAS
Newton Baiandeira

Nas minhas veias te vejo a correr em fuga.
Vez e meia sinto na alma essa ruga.

Nas vias te caço a tão cansaço e falta de prumo.
Nas teias te traço, curvas e retas de emaranhado
rumo, rotas que levam a solidões e ausências.

Ah, dor que dói grande!
Em que te expandes, eis-me e então, lava de um
vulcão que se fingia extinto.

Ah, paixão que me dilacera!
Também, pudera, esse coração torto há pouco se
fingia de morto. Há que, agora e só, rogar pragas
no amor.

Ah, sangria desatada! Ai, quão aguda dor!
Fosse um condor e correria aos céus.
Mas, nem cabe a céus curar vigarices!

Você passa e nem dá olhos, e nem liga
Corre, ocorre, escorre em minha veia.
E ainda, mal educada, me diz vazios de boca cheia?

(EM QUE PASSO O OLHAR NEM HÁ MAIS PRA VER. NB)


VIAGEM
Newton Baiandeira

Agora eu sigo as ruas do azul
Arrebatado, pleno de magia
Mergulho na utopia, em busca
de tudo que eu possa somar ao
concreto que me circunda.

(ÀS VEZES, SALTA-NOS DO CORPO A ALMA, E TUDO ACONTECE. NB)

DE ALMA LAVADA
Newton Baiandeira

A chuva cai, lavadoira! Plim, plim, plim!
Dentro de mim entra e sai pelos olhos.

O que tomas por lágrimas de minha alma
São gotejares de um tempo de fertilidades
ao brotar de flores na terra.

Canteiros verdes, humanos
Semeares de alma florida

(CHOVE EM MIM, REGA CANÇÕES QUE SEMEIO AO MUNDO, ÀS
ALMAS FÉRTEIS. NB)

SONS DO SILÊNCIO
Newton Baiandeira

Não te quero à exata freqüência de minha voz.
Só te quero ouvir como se a sós gritasse seus medos e desejos.

Então, e só aí, beijar-te-ia, a calar qualquer som que não fosse à voz da alma.

(QUE CALE, ENTÃO E FUNDO, O AMOR EM NÓS. NB)

EXAUSTÃO
Newton Baiandeira

O homem do passado levou a terra à exaustão.
No limiar da grande catástrofe, o homem do
presente busca na preservação da natureza, meios
de transformar o que ainda resta num ambiente
digno de acolher as novas gerações.

(MEIO-AMBIENTE: O ÚNICO MEIO DE SALVAR A GENTE! NB)

Imagem Google

sábado, 20 de agosto de 2011

DO LUXO AO LIXO, O HOMEM DO HOMEM AO BICHO, O MUNDO



LÁGRIMAS DO TEMPO
Newton Baiandeira

Chove,
lavando
a cárie
da boca
do lixo,
molhando
a alma
dos bichos.

* Do luxo ao lixo, o homem.
Do homem ao bicho, o mundo.

PRA ESQUINA DAS LETRAS
Newton Baiandeira

Vou por esta rua
Levo uma idéia
Quiçá, pela rua de lá
Venha a trazer-se uma rima

A gente se encontra e tal
Pra uma jóia de lavras
Um poema acidental
Na esquina das palavras

* Aqui não é um lugar, só um estado de espírito.

ALÉM DOS FESTIVAIS
Newton Baiandeira

Estrelas que não brilham mais
À luz da imaginação
À solidão dos festivais
Cruel censura de canções

Que anunciavam o novo
Preparando o povo com seus refrões
Desfazendo armadilhas
Preparando trilhas para os corações

Falta despertar na gente
Uma canção de luxo ao lixo cultural
Vidas que não tem desvios
Produções em frios tons comerciais

Impostações vazias
Sem a poesia de tempos atrás
Às invenções do omisso
Sem ter compromisso
Não me valem mais

* E tudo se transforma em carnavais

ACORDAR
Newton Baiandeira

Acordar e as janelas abrir
Ensaiar um bom dia pro sol
Respirar a manhã e sentir
Não há nada de novo no ar

A não ser o gás de uma velha
usina que explodiu

Apesar de todas as guerras
Vamos ser e cantar
Ainda temos alguma esperança
De amanhã

Acordar e as janelas abrir
Ensaiar um bom dia pro sol
Respirar a manhã e sentir
Não há nada de velho no ar

A não ser a paz de uma geração
que evoluiu.

* Ao redor de uma usina nuclear há mais: mundos, vidas
e aconteceres; realidade e poesia, sonho e criatividade.

ALÉM MAR
Newton Baiandeira

Longe do mar
Nalgum lugar da América
Imensidões, descobertas mil

Meu coração, qual navegador, vai
Pulsares tais, ondas a mais
Velas da paixão, navegações
Bússolas e rotas do amor

Pulsações, amores de além mar
De te buscar, navegar, navegar
De tão remar fiz mil cabrais
E te vais, mar e mares além
Além dos barcos, Além das velas

* Imagem Google

domingo, 7 de agosto de 2011

NAS LAVAS DO VULCÃO



A PASSAGEM
Newton Baiandeira

Andas fundo n’alma
Não passarás ao raso da vida
Ficarás, flor renovada a cada primavera
Não te adentras, então passarás e só.

DESTERRO
Newton Baiandeira

No final da linha barro seco
Se mandou de alma em becos
O que tinha pra levar levou
Corpo, alma, desejos, sinas
E as esquinas que freqüentava
Lavam-se em lavas de vulcão

SEM REGRAS
Newton Baiandeira

Não se deixe escravizar pela gramática
Nem se abalar às estruturas poéticas
Diga o que diz-lhe o coração
Fale o que lhe couber a boca
A poesia é um acontecer
E alma não tem estrutura
Isso é coisa dos homens
Um escritor é um poeta está

BATIDAS DO CORAÇÃO
Newton Baiandeira

Vem ver o meu coração pulsar
É uma sensação de mão no pilão de amar

O sol parece que vai chover
E se acontecer o amor não virá

Ó, natureza, quão sombrias nuvens!
Será uma conspiração
Só pra ouvir as batidas do meu coração?

Soca pilão a que moa saudades
Ausência ensopada
Natureza invejosa.

RASGO OS ÓIOS DE TE VER
Newton Baiandeira

Tanto tempo a gente não se vê
Todo mundo fala bem docê
Tô cansado de rezar procê
De repente aparecer por cá

Flor de cheiro vivo de regar
Com as lágrimas do meu olhar
Horizontes vivo de buscar
Rasgo os óios de poder te ver

Sou um pássaro sem asa ai amor
O meu peito fogo em brasa queimou

Ai, amor, eu quis pagar pra ver
Dei na estrada pra longe docê
A distância traiçoeira
Me pegou numa rasteira
Tô pedindo seu perdão

Tô morando numa região
Sem antena de televisão
Sem notícia desse mundo
Num buraco meio fundo
Que eu chamo de solidão.

METALISMÃ
Newton Baiandeira

Pico do Amor
Meu Cristo Redentor, meu céu
Fonte de prazer
Eterna produção de mel

A cidade, lá embaixo
Se vale do que lhe vier
O trem na estação
E a vida vai seguindo a pé

Tudo é poesia à flor da pele
Vele o vale, quanto pesa uma paixão?
Que a fotografia não revele
O metalismã do coração.

Pedra Lisa é coisa do amor
Que só se explica
Na mais lavra rica da paixão.
“Vila da Utopia”
Que a razão identifica
Na fração mais rica do Japão.

A MESMA CANÇÃO
Newton Baiandeira

A mesma canção
Que a gente cantou
Quando era o amor
Um sonho pra nós

É a mesma que após
O pote de mel
Inverte o papel
E bate feroz

E essa dor!
Que saudade
Saudade de nós!

Ah, meu amor!
Assim não dá pra esquecer!
Lá vem você
Nas entrenotas dessa canção

Compartilhando meus dias
Varando luas e sóis
Marcando a minha agonia
De sustenidos, bemóis!

quinta-feira, 28 de julho de 2011

CANTO NOSSO DE CADA DIA



PATRIAMÃE
Newton Baiandeira

Amada pátria, mãe
De todas as manhãs
Sagrado coração da terra
O universo respira
Na força de teus pulmões

Os mártires, heróis
Cravados em teu chão
Refletem na explosão dos sinos
Meninos mais brasileiros
Do meu Brasil

Das hostes mais honestas
De virtudes tais
Das artes, atitudes
Velam teus quintais

Amada pátria mãe
Teus filhos geniais
Transformam dor em carnavais

CHORAMINGUANDO
Newton Baiandeira

Nalguma rua do bairro Pará
Um violão anunciava o tom
Um reco-reco vinha celebrar
O anoitecer da terra de Drummond

Um sete cordas passeava em si
Dedos e pensamentos nos bordões
Felicidade ainda morava ali
Entre ruelas, bairros, casarões

O bandolim jorrava poesia
O cavaquinho celebrava a vida
Choro chorado, bem temperado
Tirando lascas da minha paixão
E um sete cordas roendo as bordas
Das pratinelas do meu coração

Rego de choro a flor do abacate
Celebro a arte, “Vila da Utopia”
Choro chorado, bem temperado
Tirando lascas da minha paixão
E um sete cordas roendo as bordas
Das pratinelas do meu coração

ASAS DE MARCÉU
Newton Baiandeira

Feito Fernão na rota do sol
Céus infinitos, nuvens de fino algodão
Malabarismos ao léu, o meu limite é condor

Feito Capelo, meu beija-flor a rolar
Por primaveras astrais, desembrulhar horizontes

Feito Gaivota deixar a fonte jorrar
Vão minhas asas adiante do que viver navegar.

TOCAIA
Newton Baiandeira

Ê! Estradas de Minas, ê!
Ê! Paredes de barro, ê!
Ê! Espelho das águas, ê!
Ê! Apitos de trens, aê!

Espingarda armada, tocaia, ê!
Emboscada na encruzilhada, ê!

Cada serra esconde uma sombra
Cada monte guarda um gemido
Cada voz é um canto de medo
Um segredo bem escondido, ê!

Ê! Estradas de Minas, ê!
Ê! Caminhos que vão pro sol!
Liberdade é filha de lá!
Libertas Quae Sera Tamen!

Todo passo tem que passar por lá!
Toda estrada tem que passar por!
Toda a história passa por Minas!
O país é livre por Minas!
Cada voz é um canto de glória
Na memória viva de Minas, ê!

Ê! Conheço essa estrada, ê!
Ê! Sou filho de minas, ê!
Liberdade da pátria, ê!
Libertas Quae Sera Tamen!

OFICINAS
Newton Baiandeira

A canção que a gente faz
Se refaz em sílabas

Carnavais, temporais
Derramar de mel
Entornar de sal

São infernos, céus, invernos, verões

Nada como antes foi mais será
Estados da alma vão revelar
O sai e entra que se concentra dentro de nós
E na alquimia, à utopia , a poesia se faz

Durante o processo da criação, à alquimia de palavras
e sons, o ir às lavras da alma, às minas do universo, às
nascentes do acontecer da vida; entrar em frangalhos,
saír inteiro e farto. Às vezes, salta-nos do corpo a alma
e tudo acontece. NB Imagem Google

quinta-feira, 14 de julho de 2011

DEIXA-ME CANTAR MEU CANTO



Duas coisas me levam a marte: a felicidade, quando a mim se dá, pra dividi-la com o universo ou, à dor do caos e então, em fuga.

TRÊS PORTAS
Newton Baiandeira

Então
Quando o amor nos vem pela porta da frente
É como bálsamo que cura a solidão da gente
Feito uma luva que se encaixa
Em cada dedo, em cada mão
Feito um laço que se ajeita ao nó da ilusão

Então
Quando esse amor se vai pela porta do fundo
O coração, inconformado, quer matar o mundo
E no suplício da saudade
Sobre a cratera do vulcão
O que foi felicidade, agora é solidão

E quando a solidão se vai pela porta do lado
O coração pulsando, o peito já cicatrizado
Refaz a casa com cuidado
Enfeita de ramos de flor
Batem na porta da frente, chega um novo amor.

Ouvir a música:
http://www.facebook.com/l.php?u=http%3A%2F%2Fwww.youtube.com%2Fwatch%3Fv%3DrZhcOYmv5Bg&h=fAQDb0UMN

ANJOS
Newton Baiandeira

São Gabriel
São Rafael
Meu São Miguel Arcanjo

Meu Querubim
Pede por mim
Cuida de mim, meu anjo

Virtudes soltas no gás
Quero a fortuna da paz
Meu Serafim do além
Guarda meus passos, amém!
Protege o meu coração
De toda desilusão

Asas de Deus,
Cuidem dos meus
Doces irmãos da arte

Fazei de nós
Dedos de Vós
Pintando em toda parte

Todas as formas da cor
Um arco-íris do amor
Meu anjo, São Gabriel
Guarda-me dentro do céu
Meu São Miguel Arcanjo
Cuida de mim, meu anjo.

Ouvir a música:
http://www.facebook.com/l.php?u=http%3A%2F%2Fwww.myspace.com%2Fnewtonbaiandeira2%2Fmusic%2Fsongs%2Fanjos-67396256&h=-AQCN_Gip

DE BEM COM A VIDA
Newton Baiandeira

Enquanto eu viver
Quero estar de bem com a vida
Cantando os tributos
Do amor à liberdade
Se alguém perguntar pela dor
Diga alegria
Valeu cada verso que fiz à igualdade

E quando eu morrer, por favor,
Joguem meus restos
Distante do meu traidor
E cantem mil canções
Em sustenidos, bemóis
E somem os contras e prós
E deixem brotar girassóis
No meu jardim

Ouvir a música:
http://www.facebook.com/l.php?u=http%3A%2F%2Fwww.youtube.com%2Fwatch%3Fv%3DIqvdlUKLH94&h=fAQCpNaD5

FIOS DA CANÇÃO
Newton Baiandeira/Luiz Bira

Canta uma canção
Que transforme a terra num coração
Que desfaça a guerra e a multidão possa cantar

A canção da gente, da semente, do brotar
Mas, que de repente, do viver, do festejar
Violão, punhal, estrela, bela manhã
Canta o canto dela, vida, cheira hortelã

Lâminas da vida, estrada, fios da canção
Fazei o plantio do sonho em nós

Ouvir a música:
http://www.facebook.com/l.php?u=http%3A%2F%2Fwww.youtube.com%2Fwatch%3Fv%3D8WTQk5FziXM&h=FAQC-XUpk

domingo, 3 de julho de 2011

MÚSICA, POESIA, SONORAS LETRAS



BRILHO DE AÇO
Newton Baiandeira

Quando se fala em Ita,de escandaloso amor, minha alma grita. Berro, um som tal qual bater de ferro em céu, ao silencioso sangrar. Estrelas de tolo, fagulhas dançam ao léu, fantástico balé de lâminas.
Ao escarcéu, pulmões talhados em aço e os regurgitares de ferrugem. À cortina/luz, o sapo ainda namora a lua. E o poeta, inevitável, ainda inventa horizontes e futuros, dos quais duvida.
A despeito disso, a arte que lhe é peculiar propõe outros lumes e a Ita, quando Bira, qualquer brilhar outro é mentira.
A tão consolo, a minha alma canta em compasso de trens e solavancos, desafinada.

POR VIAS E VEIAS
Newton Baiandeira

Nas minhas veias te vejo a correr em fuga. Vez e meia, sinto na alma essa ruga.

Nas vias te caço a tão cansaço e falta de prumo. Nas teias te traço, curvas e retas de emaranhado rumo, rotas que levam a solidões e ausências.

Ah, dor que dói grande! Em que te expandes, eis-me e então, lava de um vulcão que se fingia extinto.

Ah, paixão que me dilacera! Também, pudera! Esse coração torto, há pouco se fingia de morto. Há que rogar pragas no amor.

Ai, quão aguda dor! Fosse um condor e correria aos céus. Mas, nem cabe a céus curar vigarices.
Você passa e nem dá olhos. Você corre, e nem liga, em minha veia. E ainda, mal educada, me diz vazios de boca cheia.

DE ETERNO GIRO
Newton Baiandeira

Ah, o amor!
Não fosse a dor,
talvez, não tanto o amasse.
Assim, não há o que lamentar
de seu legado a mim: mel e sal,
inferno e céu, bálsamo, vulcão.

Esse meu coração não cabe em si
de se dar, se perder, se queimar: se
achar, receber, se curar à seiva da vida,
de alma elevada ao tudo e todo orgasmo.

Queima-me! Rasga-me! Recolho meus pedaços
e de novo dou-me ao laminaço, e de novo me infinito aos findares e recomeçares.

Não me haveria vida sem amor ou amor sem chama. Há que se queimar por alcançar o paraíso.
Portanto, cruz pela luz, há que findar esse mundo, a vida não!

ZÉ MIAMI, O PRÓDIGO
Newton Baiandeira

Viver já não lhe cabia
A morte mais seduzia, pois é
Queria matar o mundo
Ó, que desgosto profundo
Com o que pulsa redor
Comprou passagem de ida
Voltar, não quero essa vida
Deixa esse barco afundar

Atravessou o mar
Metendo o pau na pátria amada
Nem lixo pro lixão
Esse sertão não vale nada, sou zé

Involuntário da pátria
Curtido a leite da mátria, foi Zé
Eis que aos primeiros contatos
Já bem cuspia no prato
Que sua fome sanou
E nos states a vida
Deu numa rua perdida
Como a rainha mandou

Atravessou o mar
Quanta saudade da favela, José
E a pátria mãe curtiu
O filho pródigo com sambas, pois é

COISAS DA CAPANGA DA BASTIANA
Newton Baiandeira

Bastiana, lá na minha adolescência:
“Ah, se eu pudesse e meu dinheiro
desse, num havia coisa que eu num
fizesse! Eu ouvia encantado, seus ditos.

Eu, na juventude, ela a ouvir:
Ah, se sesse! Mas, num esse!
Ela, ainda ali, ouvia e retrucava:
Como é que a coisa anda depois
da morte de Miranda!” E eu: “Ué,
quem não tem cão caça com gato,
quem não tem gato, late!”

E ela sempre falava: ”língua de povo
é língua santa, não erra.” Quão desdita,
Bastiana se foi. Mas seus ditos ainda me
ditam rumos de versorrimação.

O CANTADOR
Newton Baiandeira

Eu canto por cantar
Eu componho por prazer
Canto pra penetrar
no universo da mente
Eu vivo da minha voz
Seresteiro, cantador
Canto pra semear
O quebrar das correntes
Canto esperança e fé
Liberdade e união
Canto quem anda a pé
E caminha sem direção
Quem vive ao Deus dará
Quem esmola, pedindo pão
Canto quem semeou
A semente do perdão

UMHOMEM SEM TERRA
Newton Baiandeira

A gente acorda antes do sol sair
Pra dividir os ossos e o porvir da profissão
É cada um no cabo de uma enxada
Em cada légua, uma terra lavrada pra plantar

Num sol de tranças vermelhas
Eu sou um homem sem terra

Ao por-do-sol, agradecer a Deus
Os filhos Teus não perdem a esperança do amanhã
A noite é triste, a viola ponteia
Mesa vazia, a cabeça cheia faz cantar

Nas noites de lua cheia
Eu sou um homem sem terra

A gente dorme, assim como se diz
Fechar os olhos, fingir que é feliz
negar a dor
Se Deus existe, a terra prometida é
uma esperança
Enquanto eu tiver vida, vou sonhar
Nas madrugadas sombrias
Eu sou um homem sem terra.